terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 8

Filmes vistos entre 9 e 13 de fevereiro:



O ABISMO PRATEADO (Brasil, 2011, dir. Karim Aïnouz)
"Faroeste Caboclo" vai virar filme em breve, mas "Olhos nos Olhos", do Chico Buarque, saiu na frente e ganhou uma adaptação livre estrelada pela Alessandra Negrini. Abandonada pelo marido no início da trama, acompanhamos a moça pelas ruas do Rio durante 24 horas. O filme é bem dirigido e Alessandra mata a pau na dura tarefa de transmitir seu turbilhão de emoções em poucos diálogos. Mas o fato de ser uma adaptação da música acaba gerando uma decepçãozinha, justamente por não seguir a letra à risca. Quando lembramos de versos como "Quantos homens me amaram / Bem mais e melhor que você", imaginamos a atriz despirocando geral, mas o roteiro prefere passear por outras praias. E a própria canção inspiradora dá as caras no final, mas numa versão chatinha que nem se compara com a do Chico ou da Bethânia. Nota 3/5



E AÍ, MEU IRMÃO, CADÊ VOCÊ? (O Brother, Where Art Thou?, EUA/Reino Unido/França, 2000, dir. Joel & Ethan Coen)
Engraçado: revendo o filme em meio à minha maratona coeniana, e comparando com outras obras dos irmãos, não achei tão bom quanto da primeira vez. A trama (uma adaptação amalucada da Odisséia do Homero) é episódica demais, faltando a lógica orgânica de uma-coisa-leva-a-outra tão presente nos roteiros dos Coen. Mas minhas cenas preferidas continuam excelentes – em especial a das sereias e todas aquelas que envolvem os Soggy Bottom Boys. E tem um momento específico que, assim que revi, lembrei que da primeira vez fiquei voltando e assistindo umas cinco vezes seguidas. E, revendo agora, fiz o mesmo da vez passada. É quando John Turturro, disfarçado com uma barba falsa, diz aos companheiros: "Crazy! No one's ever going to believe we are a real band!". A forma como Turturro mexe a boca quando diz band (em 1h21m04s) é uma nuance brilhante de interpretação. Nota 3/5



NA RODA DA FORTUNA (The Hudsucker Proxy, EUA/Reino Unido/Alemanha, 1994, dir. Joel & Ethan Coen)
Talvez o único filme com efeitos de computador dos irmãos Coen, Na Roda da Fortuna assume um tom de fantasia no final que lembra muito A Felicidade Não Se Compra. A história de Tim Robbins como o zé mané alçado a presidente da empresa é bacana, mas o que gostei mesmo neste filme foram os detalhes – a burocracia infernal do sistema de correspondências com códigos quase iguais (3-37, 37-3...), o minuto de silêncio que pedem pela morte do presidente e depois dizem que será deduzido do pagamento, o ascensorista piadista ("Mr. Kline, up to nine. Mrs Dell, personnel. Mr. Levin, thirty-seven." "Thirty-six." "Walk down!"). E ainda tem uma das melhores seqüências de todos os filmes dos Coen, a que acompanha o bambolê desde o início de sua fabricação até o fracasso nas vendas e a subseqüente reviravolta quando um exemplar solitário vagueia pelas ruas e é encontrado por uma criança. Nota 4/5



OS MERCENÁRIOS (The Expendables, EUA, 2010, dir. Sylvester Stallone)
O conceito era promissor: juntar todos os heróis de ação dos anos 80, hoje cinqüentões ou sessentões, em uma porradaria nostálgica. O problema é que o filme não vai muito além disso. As piadas não funcionam, as cenas de ação são meio nhé, e muitas participações soam como a ponta de Keith Richards em Piratas do Caribe 3: só estão ali para falarmos "porra, é o fulano!", pois não acrescentam mais nada. O maior exemplo é a cena que reúne Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis. Se ela parece meio desconjuntada, é porque é mesmo: foi filmada com os atores separadamente usando fundo verde. Os Mercenários 2 vai trazer de volta Sly, Schwarza, Dolph Lundgren, Jason Statham e Jet Li, e ainda contará com Van Damme e Chuck Norris. O elenco, mais uma vez, promete. Esperemos que o resto funcione dessa vez. Nota 2/5



GOSTO DE SANGUE (Blood Simple, EUA, 1984, dir. Joel & Ethan Coen)
Filme de estréia dos Coen, já trazia todas as marcas registradas da dupla, e muito bem executadas. A direção é segura, fazendo o dever de casa ao estabelecer com calma personagens, motivações e objetos futuramente importantes. Dan "Dois Queixos" Hedaya está ótimo como o corno vingativo que ordena o assassinato da esposa e o amante, M. Emmet Walsh é um detetive/mercenário adequadamente asqueroso, e os protagonistas John Getz e Frances McDormand são responsáveis pelas duas cenas mais angustiantes do filme: a que Getz enterra um personagem vivo ("respeitosamente" começando pelas pernas, mas mudando para o rosto quando a coisa aperta) e a que McDormand espeta uma faca na mão de Walsh. Filmaço. Nota 5/5

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 7

Filmes vistos na primeira semana de fevereiro:



AJUSTE FINAL (Miller's Crossing, EUA, 1990, dir. Joel & Ethan Coen)
Um filme de gângster que só não fez o sucesso merecido porque teve a infelicidade de estrear junto com Os Bons Companheiros – isso é que é timing ruim. O roteiro é intrincado mas não é difícil de seguir, girando em torno do personagem de Gabriel Byrne e suas idas e vindas de uma gangue para outra. O grande destaque no elenco é John Turturro, que aparece pouco mas sempre rouba a cena. A fotografia (de Barry Sonnenfeld, futuro diretor de Homens de Preto) e a montagem (que aqui não é dos Coen como de praxe, mas de Michael R. Miller) criam transições belíssimas como em uma cena crucial no "Miller's Crossing" do título original. Nota 4/5



BATMAN - O HOMEM-MORCEGO (Batman, EUA, 1966, dir. Leslie H. Martinson)
O único longa-metragem com o Batman e Robin de Adam West e Burt Ward tem todos os ícones camp do seriado de TV: a galhofa, as piadas infames, os bordões do Robin ("santa festa a fantasia!"), as onomatopéias pipocando na tela, os milhares de bat-trecos. Batman enfrenta nada menos que quatro vilões (toma essa, Joel Schumacher!): Coringa, com aquele bigodinho safado sob a maquiagem; Pingüim, com seus gritos de qüen-qüen e disfarces infames como "P. N. Gwynne"; Mulher-Gato (que aqui não é a Julie Newmar da TV, mas uma Lee Meriwether que capricha no sotaque russo de sua falsa alter-ego Kitka); e Charada, responsável por charadas tão ridículas, mas tão ridículas, que acabam sendo ótimas. Um exemplo: "O que é amarelo e escreve?" E o Robin: "Uma banana esferográfica!" E o Batman: "Precisamente, Robin! O único significado possível." Os bat-trecos não são apenas absurdos, mas aparecem todos identificados com plaquinhas redundantes: "instant costume change lever", "bat-escada", "bat-spray repelente de tubarão" (sem falar em bat-sprays repelentes de baleia, arraia e barracuda). A história é uma sucessão de cenas nonsense, culminando na "desidratação" do Conselho de Segurança de um órgão estilo ONU – todos os delegados viram pozinhos coloridos. E as coincidências do roteiro? O batcóptero sofre uma pane mas aterrissa em terreno macio; quando vão ver, caíram sobre a "Convenção de Atacadistas de Espuma de Borracha". Batman – O Homem-Morcego sabe que é infame, e se diverte muito com isso. Nota 4/5



UM DRINK NO INFERNO (From Dusk Till Dawn, EUA, 1996, dir. Robert Rodriguez)
São dois filmes em um. A primeira metade é bem tarantinesca, com diálogos espertos e situações tensas – seu Quentin, não por acaso, escreveu o roteiro e é um dos personagens principais. George Clooney faz aqui sua estréia no cinema, meio tardiamente e já agrisalhando. A segunda metade muda o tom completamente e abraça o trash sem pudor, com direito a pistola de água benta, guitarra feita de membros humanos, muita gosma e mortes absurdas. O conceito dois-em-um ganha pontos por ser original e reverter expectativas, mas com isso o filme perde um pouco a unidade e acaba sendo só um bom divertimento. Nota 3/5



O AMOR CUSTA CARO (Intolerable Cruelty, EUA, 2003, dir. Joel & Ethan Coen)
Este é o mais próximo que os Coen chegaram de fazer uma comédia romântica – e mesmo assim, só o terceiro ato pode ser encaixado nessa classificação. George Clooney e Catherine Zeta-Jones estão ótimos como o advogado canalha e a beldade atrás de marido rico, e os coadjuvantes incluem uma galeria de personagens bizarros típicos dos Coen: o detetive particular, o "barão" afetado, o velhinho advogado com o pé na cova e o assassino asmático. Só há uma cena de morte no filme mas é uma das mais criativas (e das mais inverossímeis) da carreira dos irmãos. E os diálogos estão cheios de pérolas como essa:
"Attila the Hun, Ivan the Terrible, Henry the Eight – what did they have in common?"
"The middle name?"
Nota 4/5



MATADORES DE VELHINHA (The Ladykillers, EUA, 2004, dir. Joel & Ethan Coen)
Filme com a pior reputação da carreira dos Coen, Matadores de Velhinha é sem dúvida irregular, mas funciona como bom passatempo de humor negro. A quadrilha de bandidos bizarros é heterogênea: Tom Hanks está quase sempre ótimo como o eloqüente Professor Dorr (deslizando apenas nas risadinhas de Sheldon Cooper), J.K. Simmons só não funciona quando é obrigado a encenar piadas de peido, e o General feito pelo hongkonês Tzi Ma é excelente e responsável por pouquíssimas e memoráveis falas (a do provérbio budista me fez gargalhar sozinho). Por outro lado, Marlon Wayans e principalmente Ryan Hurst (o brutamontes bobalhão) parecem muito fora de lugar num filme dos Coen. O roteiro depende de coincidências demais, mas a intenção é ser mesmo galhofa, e mesmo um Coen menor ainda vale a pena conferir. Nota 3/5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 6

Filmes vistos ou revistos entre 29 de janeiro e dia 2 de fevereiro (dia de festa no mar), incluindo três candidatos ao Oscar 2012 e dois da minha maratona particular de irmãos Coen:



O ARTISTA (The Artist, França/Bélgica, 2011, dir. Michel Hazanavicius)
Este é definitivamente o melhor filme mudo feito nos últimos 80 anos! (Rá.) Mas falando sério: é preciso ter colhões pra lançar uma obra assim no cinema colorido, ultradinâmico e tridimensional da segunda década do século 21. Se pra maioria das pessoas este será o primeiro filme mudo que elas verão no cinema, para uma grande parcela será também o primeiro filme mudo que verão na vida – e, sendo tão simpático e fácil de agradar, vai servir pra tirar de muitos esse preconceito ridículo contra filmes mudos ou mesmo em preto-e-branco. A trama é uma mistura de Cantando na Chuva com Crepúsculo dos Deuses, tratando da transição do cinema mudo pro falado e de como grandes estrelas de uma era caíram rapidamente no esquecimento. Pode-se argumentar que o roteiro é convencional e até formulaico; que é "filme francês pra agradar americano" (usando Hollywood como cenário e o inglês nos intertítulos); ou que tanto prêmio e aval da crítica acaba criando uma expectativa muito alta. Mas O Artista funciona, e funciona muito bem. Jean Dujardin e Bérénice Bejo ganham a simpatia do público desde a primeira cena, pra não falar de Uggie, o cachorro (e não deixa de ser curioso ver rostos conhecidos como John Goodman em um filme mudo). Há alguns efeitos sonoros, raros, mas sempre adequados, mas gosto principalmente de como o filme trabalha o silêncio absoluto em dois momentos: em aplausos efusivos – e silenciosos – na primeira cena, e em um instante crucial no clímax. Quem diria que o cinema de 2011 conseguiria ousar olhando quase um século para trás. Nota 5/5



O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (Moneyball, EUA, 2011, dir. Bennett Miller)
Eu não sou fã de baseball, não entendo de baseball e não costumo assistir filme de baseball – mas gostei muito de O Homem Que Mudou o Jogo. O foco aqui não são os jogadores ou o técnico, mas o administrador responsável por montar o time (um Brad Pitt com jeitão de Robert Redford) e seu conflito entre os métodos nada científicos comumente usados pelo clube – um cara chega a desconsiderar um jogador porque "ele tem uma namorada feia", e isso "demonstra pouca autoconfiança" – e as teorias matemáticas defendidas pelo personagem de Jonah Hill (que finalmente deixa de ser só um nerd gordo e ganha uma profissão!). É como se fizessem um filme sobre Elifoot. Além do elenco inspirado (que também inclui Phillip Seymour Hoffman como o treinador cansado e pançudo) e dos diálogos espertos ("I'm playing my team in a way I can explain in job interviews next winter", diz Hoffman), vale destacar a montagem, que cria boas transições em cenas geralmente clichês, como flashes do passado de Pitt ou repórteres entrevistando jogadores. Nota 4/5



OS DESCENDENTES (The Descendants, EUA, 2011, dir. Alexander Payne)
Já começa com o pé esquerdo quando depende de 20 minutos de narração em off para apresentar a história e explicitar as emoções do protagonista. O filme tenta se estabelecer como "dramédia", pontuando uma difícil situação familiar com momentos esporádicos de humor, mas se a parte dramática geralmente funciona, os alívios cômicos soam forçados e inverossímeis. Tome como exemplo um personagem como Sid, o peguete da filha mais velha de George Clooney: ele acompanha o elenco principal o filme inteiro sabe-se lá por que motivo, agindo ora como um boçal que não mede as palavras, ora como um adolescente maduro com insights certeiros sobre a vida, conforme for mais conveniente para o roteiro. O carisma de Clooney e as cenas que envolvem Judy Greer e o sumido Matthew Lillard salvam Os Descendentes de virar uma novela das oito em widescreen. Nota 3/5



FARGO (EUA/Reino Unido, 1996, dir. Joel & Ethan Coen)
Acho que este foi o primeiro filme que eu vi dos irmãos Coen, e lembro que não curti tanto. Hoje, depois de ter visto 10 dos 15 filmes da carreira de Joel e Ethan e bem mais familiarizado com o estilo dos irmãos, gostei muito mais. São obras meio à parte do cinema tradicional, muito imprevisíveis para serem filme de gênero, muito frias pra funcionarem como comédia, e ainda assim excelentes. Fargo tem tudo o que há de mais particular nos filmes dos Coen: uma situação que foge do controle, personagens importantes que só aparecem depois de 40 minutos, um roteiro que parece tomar vida própria e vai andando, andando, sem querer saber onde vai dar. Nota 5/5



ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (No Country for Old Men, EUA, 2007, dir. Joel & Ethan Coen)
Quando vi Onde os Fracos Não Têm Vez no cinema, um senhor ao meu lado reclamou em voz alta: "Ah, eles tão com mania disso agora!" – referindo-se ao "final sem final", que parece terminar do nada. Mas é um desfecho totalmente coerente com o estilo dos Coen, mesmo que o roteiro aqui seja adaptado de um livro. A direção é primorosa, criando tensão só com a composição dos planos e praticamente não usando música. Javier Bardem, assustador com aquele cabelo de Beiçola, é o "ultimate badass" perfeito. Tommy Lee Jones é quase o espectador, assistindo a tudo sem compreender muito bem qual é o propósito, se é que há algum. E Josh Brolin, com seu destino totalmente anticlimático (pisquei na hora errada no cinema e fiquei sem entender) é quase uma piada dos diretores para a platéia: "vocês investiram tanto tempo nesse personagem, e olha como descartamos ele fácil". Nota 5/5

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 5

Parágrafos sobre filmes vistos entre 26 e 28 de janeiro, inclusive dois vistos nos cinemas de Beijing que só colocam legenda em chinês e o espectador não-chinês que se vire pra entender inglês, francês, russo ou até Na'vi! (Só um desabafo.)



O TERCEIRO HOMEM (The Third Man, Reino Unido, 1949, dir. Carol Reed)
Noirzão clássico com todos os elementos do gênero: uma morte que é mais do que parece, um protagonista preocupado em investigar o que ninguém dá muita bola, uma mulher misteriosa, um vilão ambíguo, fotografia em preto-e-branco e cheia de sombras, composições que abusam dos ângulos tortos. Joseph Cotten está adequadamente confuso como o escritor de faroestes que chega a Viena a convite de um amigo e encontra o amigo morto, e Orson Welles, mesmo com pouco tempo de tela, compõe um personagem intrigante, variando sutilmente as expressões faciais e contribuindo com frases clássicas do cinema (eu nem sabia que vinha deste filme a citação que compara a Itália sanguinária que produziu o Renascimento e a Suíça pacífica que produziu o relógio cuco). Nota 5/5



SUPERMAN IV - EM BUSCA DA PAZ (Superman IV: The Quest for Peace, EUA/Reino Unido, 1987, dir. Sidney J. Furie)
Lembro vividamente de assistir Superman IV na tevê em Cabo Frio no reveillón de 1991 pra 1992. Eu tinha seis anos e adorei, claro. Vinte anos depois, só encarei de novo por ter assistido recentemente ao restante da série, já esperando aquela bomba – imagine um filme que tem 10% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 3.5/10 no IMDB. E é realmente bem ruim, mas não é um desastre monumental, no sentido de que Batman & Robin é um desastre monumental. É que o espectador ideal é o menino de seis anos que brinca de bonequinhos e não dá a mínima para as leis da física, que aqui são devidamente chutadas, mastigadas e cuspidas: tem a Mariel Hemingway respirando no espaço, tem o Superman movendo a Lua para provocar um eclipse e contando que aprendeu isso "na aula de física do ensino médio". Mas ei – a ciência não é o forte da série desde o primeiro filme, com a famigerada cena da Terra girada ao contrário. Em comparação com Superman III (que trazia Richard Pryor como gênio da computação!), o quarto episódio maneira no pastelão e no humor verbal, que quando aparecem não têm muito êxito – a tirada do Superman sobre a segurança no metrô não funciona nem como piada nem como referência ao filme original. Os efeitos especiais são tosquíssimos, com cromakeys dignos de Chapolin, e o roteiro continua com a tradição iniciada pelo "superbeijo do esquecimento" de inventar superpoderes para o herói que não existiam nos quadrinhos: aqui ele tem poderes eletromagnéticos, reconstrói a Muralha da China com uma supervisão-de-pedreiro e toca a campainha com a força do pensamento (além de aparecer falando russo e italiano, numa demonstração clara de supererudição). Gene Hackman volta como Lex Luthor, que desta vez inventa um novo supervilão chamado Homem-Nuclear, com mullets loiros de McGuyver, unhas prateadas gigantes e uniforme à la He-Man. Com tanto vilão bacana nos quadrinhos que nunca apareceu nas telonas (Darkseid, Brainiac, mesmo o Superman Bizarro), por que é que ficam inventando moda? Nota 2/5



SHERLOCK HOLMES - O JOGO DE SOMBRAS (Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011, dir. Guy Ritchie)
O primeiro Sherlock Holmes de Guy Ritchie me surpreendeu porque, apesar de fugir completamente da caracterização habitual do personagem, o estilo narrativo de Ritchie e a química entre Robert Downey Jr. e Jude Law deram um novo gás ao velho detetive. A rigor, esta seqüência não acrescenta nada de novo, mas continua bem bolada e divertida. As brincadeiras visuais de Guy Ritchie no primeiro filme estão de volta, e algumas funcionam por subverter o conceito original (Holmes prevendo os golpes antes de uma luta), mas outras acabam cansativas (como a câmera leeeenta na cena da floresta). Downey Jr. se diverte com os inúmeros disfarces, enquanto os personagens clássicos Mycroft Holmes (Stephen Fry) e Professor Moriarty (Jared Harris) são adições muito bem-vindas, este último protagonizando o ótimo embate final com Sherlock, mais fiel ao conto O Problema Final do que eu imaginaria. Nota 4/5



DISQUE M PARA MATAR (Dial M for Murder, EUA, 1954, dir. Alfred Hitchcock)
Um marido planeja assassinar a esposa adúltera, mas o plano dá errado e ele tem que improvisar. A trama se passa quase inteiramente dentro de um apartamento; ao contrário de Festim Diabólico, é filmado de maneira mais convencional, mas ainda extremamente precisa, passeando pelos vários detalhes do roteiro – as diversas chaves sendo o maior destaque – sem confundir o espectador. Nota 4/5



MISSÃO: IMPOSSÍVEL - PROTOCOLO FANTASMA (Mission: Impossible – Ghost Protocol, EUA/EAU, 2011, dir. Brad Bird)
Brad Bird construiu uma carreira impecável na animação, com O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille – este último meu favorito dentre as várias obras-primas da Pixar. Sua estréia no live-action com o quarto episódio de Missão: Impossível não chega ao brilhantismo de suas animações, mas é um filme-pipoca de primeira, preferindo usar seu tempo com a ação desenfreada (e bem dirigida) do que em tentar ser "sublime". Ethan Hunt é um action hero com profundidade zero, e é melhor que seja assim – nas poucas vezes em que começa a esboçar os problemas mais emocionais de Hunt, o filme fica menos interessante. O que interessa aqui é a ação, e nisso Bird é impecável, usando humor na invasão ao Kremlin, provocando vertigem na cena do prédio mais alto do mundo, apresentando trocentos gadgets absurdos que são imediatamente invejados pela platéia. Tom Cruise já é quase cinqüentão mas ainda convence nos saltos e corridas; Simon Pegg não decepciona no seu papel habitual de nerd piadista – ele e Jeremy Renner são agentes secretos mais humanos, mostrando medo onde qualquer um de nós também o faria. Paula Patton, por outro lado, é uma "impossiblegirl" meio genérica, e Michael Nyqvist empalidece diante do vilão de Phillip Seymour Hoffman no Missão Impossível anterior. Protocolo Fantasma acaba sendo o pior filme de Brad Bird até agora – mas só porque ele estabeleceu um padrão alto demais. Nota 4/5

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 4

Os filmes que vi entre 16 e 25 de janeiro (uma viagem no feriado arruinou minha média de 1 por dia, mas quem sou eu pra reclamar) incluem uma animação da DC Comics, o primeiro Planeta dos Macacos (decidi rever este original e assistir ao restante da série), um clássico do De Palma, um dos poucos Nolans que não tinha visto (acho que agora só falta o primeiro, Following) e um dos 9 candidatos a Melhor Filme no Oscar 2012 - como no ano passado, pretendo ver todos antes da cerimônia, e até agora só tinha assistido Meia-Noite em Paris.



BATMAN - ANO UM (Batman: Year One, EUA, 2011, dir. Sam Liu e Lauren Montgomery)
A DC vem lançando longas animados em vídeo com seus principais personagens nos últimos anos, e este, primeiro que vejo, adapta quadro a quadro a clássica Batman – Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli. Estão lá todas as cenas, todas as falas, todos os detalhes, sem tirar nem pôr – e isso tem um lado bom e outro ruim. Bom porque a história é ótima e não há espaço para simplificações ou invencionices, e tudo o que não podia existir na mídia impressa (vozes, trilha, efeitos sonoros) é feito direitinho. Ruim porque o projeto não extrapola em nada a obra original, quando tanto a duração do filme (apenas 60 minutos) quanto da trama (que cobre um ano inteiro) seriam motivos bem justificados para aprofundar personagens e conceitos. Do jeito que ficou, e pela própria natureza pouco ambiciosa do projeto, feito para ser lançado direto em DVD, a impressão é de que Batman - Ano Um é uma animação competente, mas a maior parte dos seus méritos vem mesmo dos quadrinhos. Nota 3/5



O PLANETA DOS MACACOS (Planet of the Apes, EUA, 1968, dir. Franklin J. Schaffner)
Incomodam alguns exageros, como o excesso de zooms e o notório overacting de Charlton Heston. Mesmo assim, O Planeta dos Macacos original é ficção científica de primeira, com uma história contada com calma, trilha atonal nervosa, maquiagem que ainda convence após 44 anos e um final-surpresa hoje ultraconhecido (a capinha do DVD já solta o spoiler descaradamente), mas que é legal pra caramba. Também me agrada como todas as semelhanças entre macacos e humanos – eles falam inglês, andam a cavalo, usam armas de fogo – fazem sentido dentro da lógica do filme, ao contrário de tantos outros exemplares do gênero. Nota 5/5



SCARFACE (EUA, 1983, dir. Brian De Palma)
Filmão de gângster com Brian De Palma no auge (7 anos após Carrie, 4 antes de Os Intocáveis) e Al Pacino interpretando novamente um mafioso, depois de dois O Poderoso Chefão. Mas Tony Montana é um personagem bem diferente de Michael Corleone, ficando mais entre um Sonny (pelo temperamento explosivo) e um Vito (por ter construído do nada sua carreira no crime). Enquanto Michael falava baixo e usava os olhos para impor respeito, Tony é impulsivo, muda de humor em questão de segundos, grita com os cantos da boca virados pra baixo. O filme é longo mas jamais cansativo, repleto de falas clássicas ("Say hello to my little friend" é só a última delas) e cenas violentas, mas visualmente impecáveis – com destaque, claro, para os últimos instantes de Tony Montana. Nota 5/5



O GRANDE TRUQUE (The Prestige, EUA/Reino Unido, 2006, dir. Christopher Nolan)
Como em Amnésia e A Origem, a estrela é o roteiro engenhoso dos irmãos Nolan, que mescla com competência flashbacks, plot points e revelações que alteram, em retrospecto, nossa percepção da história. Christian Bale e Hugh Jackman estão ótimos como dois mágicos rivais que vivem num incessante jogo vingativo que lembra o Spy vs. Spy da revista Mad. Das duas grandes revelações da cena final, uma funciona muito bem e nos dá vontade de rever o filme todo, enquanto a outra decepciona por ser extremamente implausível e bandear para um estilo sci-fi (ou, neste caso, "steampunk") que infelizmente destoa de todo o resto. Nota 4/5



A ÁRVORE DA VIDA (The Tree of Life, EUA, 2011, dir. Terrence Malick)
É o 2001 de Malick. As semelhanças não estão no conteúdo – que focam na relação conflituosa entre pai e filho numa família americana dos anos 50 – mas na forma, no ritmo e até nas reações dos espectadores. Aqui também temos grandes saltos temporais, questões filosóficas e existenciais, um uso poético de efeitos especiais (meu preferido é quando Jessica Chastain dança no ar), uma visão da Terra pré-histórica e do espaço (até Júpiter reaparece aqui; não por acaso, os efeitos à moda antiga foram feitos pelo mesmo Douglas Trumbull de 2001), um roteiro que não se preocupa em se explicar, música clássica a rodo, belíssima fotografia, ritmo lento, muito simbolismo e um final onírico, meio malucão. Não me admira que o cara que entra no cinema esperando um típico blockbuster do Brad Pitt ache um saco, e que as opiniões do público se polarizem entre o ambicioso e o pretensioso. Eu gostei, minha seqüência favorita sendo a que vai do início da vida na Terra ao desenvolvimento da família de Pitt e Chastain – mas, assim como 2001, assistindo só uma vez não dá pra dizer que pude digerir tudo. Nota 4/5

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 3

Filmes vistos entre 9 e 15 de janeiro:



PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (Rise of the Planet of the Apes, EUA, 2011, dir. Rupert Wyatt)
Depois de ver o filme nos cinemas e rever em casa, não mudo minha percepção: apesar dos defeitos na caracterização unilateral da maioria dos personagens humanos (Tom Felton é mau por ser mau, Freida Pinto é boazinha e sem sal, John Lithgow some quando o roteiro não precisa mais dele), as estrelas são os macacos e são eles que fazem esse reboot de Planeta dos Macacos funcionar. No ano fraco em blockbusters que foi 2011, este sem dúvida foi um dos melhores. E pra quem está esperando pela seqüência, é só ver Contágio, também de 2011: não tem macaco, mas o resto encaixa como uma luva. Nota 4/5



A COSTELA DE ADÃO (Adam's Rib, EUA, 1949, dir. George Cukor)
Divertida comédia de "guerra dos sexos", quando a luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres ainda podia render um filme inteiro em Hollywood e soar atual. Spencer Tracy e Katharine Hepburn são casados e ambos advogados, atuando em lados opostos de um mesmo caso: ela representando uma mulher traída que tentou matar o marido, ele na promotoria, defendendo o cara. Longos planos sem cortes evidenciam o ótimo timing cômico dos dois, e as cenas no tribunal têm inventividades que não eram batidas nos anos 40, como a transformação das testemunhas em indivíduos do sexo oposto. Nota 4/5



O PANACA (The Jerk, EUA, 1979, dir. Carl Reiner)
Um dos primeiros filmes de destaque de Steve Martin, O Panaca está no livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer e na lista dos 500 melhores da revista Empire, que o descreve como "sério candidato a filme mais engraçado de todos os tempos". Que decepção. Não só Martin exagera além da conta como o idiota que acaba ficando rico, como os outros personagens parecem igualmente boçais, o que torna a suspensão da descrença quase impossível. A estrutura é episódica demais e as motivações por trás dos personagens são tão avulsas e inverossímeis que não dá pra achar graça. Muita coisa me lembrou Débi & Lóide, de 15 anos depois, que é infinitamente melhor (e não é minha memória afetiva falando: revi o filme há pouco mais de um ano e continua ótimo). Mas no filme com Jim Carrey, os protagonistas eram idiotas mas os coadjuvantes não; se havia um assassino em seu encalço, ele tinha um motivo mais plausível do que simplesmente escolher um nome a esmo na lista telefônica; se a mocinha se mostrava apaixonada por um cabeça-de-vento, era porque precisava fingir, não porque ela também era imbecil. Salvo em duas ou três gags rápidas, O Panaca falha em todas as suas tentativas de provocar risadas. Como é que pode ser tão cultuado? Nota 1/5



GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE (Cat on a Hot Tin Roof, EUA, 1958, dir. Richard Brooks)
Adaptado de uma peça de Tennessee Williams (que declarou ter odiado o resultado nas telas), tem os então jovens Paul Newman e Elizabeth Taylor lavando roupa suja durante a maior parte do filme. O elenco é certeiro (incluindo os personagens odiáveis, como a cunhada de Newman) assim como as cenas, calcadas nos diálogos e fluindo quase em tempo real. Destaque ainda para o "Big Daddy" interpretado por Burl Ives, um sujeito cansado da hipocrisia da família e que não hesita em dar patada na esposa chata, no filho sanguessuga, na cunhada megera ou nos netinhos capetas. Nota 4/5



A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO (Flickan Som Lekte Med Elden, Suécia/Dinamarca/Alemanha, 2009, dir. Daniel Alfredson)
Li umas 100 páginas de Os Homens que Não Amavam as Mulheres antes de abandoná-lo de vez, aborrecido com o estilo excessivamente expositivo de Stieg Larsson. O filme sofre desse mesmo problema, mas funciona melhor, apresentando-nos à personagem intrigante que é Lisbeth Salander. Mas esta segunda parte da trilogia Millenium decepciona: mais diálogos expositivos, mais clichês ultrabatidos (alguém troca de canal e começam a mostrar uma notícia importante) e pouco desenvolvimento dos protagonistas Lisbeth e Blomkvist. Falta tensão – seja pegando fogo, levando tiro ou enterrado vivo, você sabe que aquele personagem vai sobreviver. As "revelações" soam bem forçadas e a trama apela até para um vilão jamesbondiano com cara de russo e que não sente dor. Vamos ver como Hollywood vai se sair nessa. Nota 2/5

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 2

Filmes assistidos entre 6 e 9 de janeiro:



AS LUZES DE UM VERÃO (Mùa hè chiều thẳng đứng/À La Verticale de L'été, Vietnã/França/Alemanha, 2000, dir. Trần Anh Hùng)
Comprei este e outros filmes vietnamitas quando fui a Hanói há quase um ano, e só agora parei de enrolar para assisti-los. As Luzes de Um Verão se concentra em uma família de três irmãs e um irmão. Uma descobre que está grávida mas desconfia que o marido é infiel. Outra é infiel e descobre que o marido tem outra família. A mais nova mora com o irmão e aparentemente está apaixonada por ele. Muita coisa fica sem desfecho, mas isso não é necessariamente um defeito e combina com a proposta do filme. Alguns diriam que é bem paradão, mas eu curti e por isso usarei "contemplativo". Nota 4/5



PASSE LIVRE (Hall Pass, EUA, 2011, dir. Bobby & Peter Farrelly)
Passe Livre não é um filme ruim, mas simplesmente não é engraçado como se esperaria dos irmãos Farrelly. Os primeiros 30 minutos são gastos para estabelecer uma premissa que o próprio pôster já escancara – Owen Wilson e Jason Sudeikis recebem das esposas uma semana de "passe livre" para fazer o que quiserem, "no questions asked". Mas salvo uma ou outra cena mais inspirada, a tal semana decepciona pela falta de ousadia e o excesso de correção política. Onde foram parar os Farrelly criativos e despudorados que fizeram Débi & Lóide, uma das melhores comédias dos anos 90? Nota 2/5



O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO (Terminator Salvation, EUA/Alemanha/Reino Unido/Itália, 2009, dir. McG)
Se vai ser impossível para a série atingir o nível de O Exterminador do Futuro 2, o quarto episódio ao menos não faz feio na ação. Depois de três filmes adiando o inevitável, chegamos finalmente a um futuro pós-apocalíptico dominado pelas máquinas, e aqui não há Matrix mantendo os humanos felizões e alienados. O John Connor da vez é Christian Bale – interpretado por um ator diferente a cada filme, é difícil que o personagem mantenha uma caracterização consistente, mas o que é apresentado aqui não compromete. As homenagens aos filmes originais divertem, embora não acrescentam muito, e a trama envolvendo um Connor adulto e um Kyle Reese jovem transforma o roteiro numa curiosa mistura de prequel e continuação. Pelo menos escapamos de ver um robô sendo enviado ao passado pela quarta vez pra fracassar em suas tentativas de exterminar a família Connor. Nota 3/5



MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO (Bridesmaids, EUA, 2011, dir. Paul Feig)
O último filme sobre madrinhas de casamento que assisti foi a porcaria Vestida Para Casar, e nunca em sã consciência assistiria a um chamado Missão Madrinha de Casamento não fosse tanto falatório da crítica. E não é que o filme é bom mesmo? A primeira produção de Judd Apatow a fugir dos "bromances" e focar em protagonistas femininas faz a conversão de forma inspirada, mostrando que a versão de saias da camaradagem entre amigos não é o companheirismo entre amigas, mas a inveja e o ciúme. As melhores cenas são aquelas de constrangimento, como o duelo de microfones, a seqüência no avião e o chilique na festa com tema parisiense. Nota 4/5



NA MIRA DO CHEFE (In Bruges, Reino Unido/EUA, 2008, dir. Martin McDonagh)
Pô, que surpresa agradável. Um filme despretensioso, mistura de thriller e comédia, valorizando muito mais os personagens do que a ação, cheio de diálogos genuinamente engraçados e sem medo de serem politicamente incorretos. A dupla de assassinos (Brendan Gleeson e Colin Farrell, finalmente aparecendo com seu sotaque irlandês natal) tem alma, o roteiro (original) encaixa as pontas soltas sem soar forçado e Ralph Fiennes, mesmo aparecendo pouco, convence perfeitamente como um chefão do crime que não abandona seus princípios. E olha que foi o filme de estréia do diretor. Excelente começo. Nota 5/5

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Filmes de Dois Mil e Dôuze - Parte 1

Depois de bater meu recorde pessoal e assistir a 265 filmes em 2011, decidi que vou escrever pelo menos um parágrafo raso sobre cada filme visto em 2012. Na falta de lugar melhor pra publicar (no Cinema de Buteco só posto textos completos), tiro a poeira do Biselho. A cada cinco filmes, colocarei aqui um pacotão de comentários.

Os primeiros cinco filmes que eu vi em 2012:



LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS (Knocked Up, EUA, 2007, dir. Judd Apatow)
Uma espécie de primo do Superbad, compartilhando o mesmo produtor (que aqui também dirige), vários dos mesmos atores e os mesmos diálogos espertos. A diferença é que enquanto Superbad tratava de questões adolescentes (comprar bebidas, perder a virgindade), Ligeiramente Grávidos tem um tema mais "gente grande", a gravidez. Seth Rogen e Katherine Heigl formam um casal improvável, que ganha credibilidade pela boa química entre eles. Apesar da duração um pouco excessiva (mais de 2h) e da presença constante da personagem da irmã da protagonista (Leslie Mann), que é uma chata de galochas sem ser engraçada, é uma comédia bem simpática e uma boa pedida pra começar meu 2012. Nota 4/5



SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (Sex, Lies, and Videotape, EUA, 1989, dir. Steven Soderbergh)
Primeiro filme do versátil Steven Soderbergh, que escreveu o roteiro em 8 dias e tinha 26 anos na época (e eu aqui a 1 dia de completar 27...). O elenco é enxuto e bem escolhido: Peter Gallagher como o marido canalha, Andie MacDowell como a esposa recatada, Laura San Giacomo como a cunhada safada e James Spader como o sujeito meio andrógino que filma entrevistas com mulheres falando sobre sexo. A direção e o texto privilegiam as atuações e, exceto por um ou outro momento mais lento, sempre funcionam. A única sensação estranha é a de não conseguir me envolver muito com nenhum personagem, como se fosse Spader assistindo atento a uma de suas fitas, voyeuristicamente, mas sem participar. Nota 4/5



PAGE ONE: INSIDE THE NEW YORK TIMES (EUA, 2011, dir. Andrew Rossi)
A equipe do documentário passou um ano na redação do New York Times, registrando bastidores e entrevistando figuras proeminentes do jornal. A linha geral é o conflito entre a velha mídia e a era da internet, coisa que já dura pelo menos uma década e não oferece uma perspectiva lá muito boa para a mídia impressa. Há várias cenas interessantes do dia-a-dia do jornal, como a que mostra a decisão de se publicar ou não uma história não confirmada sobre o fim da guerra do Iraque, além de reuniões de pauta e entrevistas com repórteres no meio de um artigo ou de um telefonema com possíveis fontes. Mas a estrutura do documentário é confusa, saltando de um tema a outro sem muita ligação – de WikiLeaks e Twitter a assuntos que não são familiares para não-americanos. E as opiniões/previsões sobre o futuro do jornalismo tradicional, que permeiam o filme todo, soam às vezes como conversa de boteco – mesmo quando sagazes e divertidas, ou talvez justamente por isso – porque ninguém tem certeza completa do que está falando, e não têm mesmo como ter. O filme tenta terminar com um tom otimista, mas logo em seguida põe um letreiro dizendo que "leitores e editores ainda estão debatendo sobre como o jornalismo pode se sustentar". A impressão é de que, sem poder oferecer respostas às questões que propõe, Page One será um documentário datado em pouquíssimo tempo. Nota 3/5



PLATOON (EUA/Reino Unido, 1986, dir. Oliver Stone)
No mesmo ano em que viveu um de seus primeiros papéis no cinema como o drogadito que pega a irmã de Ferris Bueller em Curtindo a Vida Adoidado, Charlie Sheen estrelou este filme baseado nas experiências do diretor Oliver Stone na Guerra do Vietnã. Outros rostos famosos também integram o elenco em suas versões 25 anos mais novas – Willem Dafoe, Forest Whitaker, Johnny Depp. Sheen é um jovem que se voluntaria para a guerra e percebe já nos primeiros dias a cagada que fez. O clima de camaradagem do início do filme, quando os soldados jogam, cantam e fumam maconha juntos, logo dá lugar a abusos e conflitos internos. O embate entre Willem Dafoe e um cicatrizado Tom Berenger polariza os membros do pelotão e têm conseqüências imprevisíveis. Gosto principalmente da falta de um heroísmo explícito, tão batido nesse tipo de produção, e da sensação de desnorteio passada pela maioria dos jovens soldados – ninguém ali é herói de filme de ação e tampouco finge ser. Nota 4/5



RED – APOSENTADOS E PERIGOSOS (RED, EUA, 2010, dir. Robert Schwentke)
Apesar das similaridades com a série Bourne – perseguição a ex-agentes da CIA, uma mulher inocente que acaba envolvida –, RED pende muito mais pro lado da comédia do que para um thriller realista. O grupo de "velhinhos" tem um elenco de peso encabeçado por Bruce Willis e que também inclui Morgan Freeman, um John Malkovich mais malucão do que precisava e uma Helen Mirren que não convence muito como assassina profissional. Se as cenas mais "sérias" parecem recicladas de dezenas de outros filmes do gênero, as cômicas e absurdas – como Willis descendo de um carro em movimento (não é pulando: é descendo!) – fazem jus ao status de "adaptação de HQ" e são as que mais entretêm. Nota 3/5

domingo, 7 de novembro de 2010

Pequena Morsa

Brincando com o Inkscape (uma genérico free do Corel Draw e do Illustrator), fiz uma versão da letra de "Pequena Morsa" (da minha banda, ABUNN) misturando fontes e pequenos desenhos. Ouça a música e veja a letra:




segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Biselho não morreu



Ué. Mas então, por que este blog não ganhou uma atualização sequer nos últimos 11 meses?

Alternativas:

a) Por preguiça.
b) Por falta de assunto.
c) Porque Lucas Paio está na China e só consegue acessar o Blogger muito de vez em quando, graças à censura internética do governo chinês.

Se você assinalou a) ou b), está completamente eeeeeeeeeerrado. Tanto é que, desde setembro - de quando data o último post deste blog até agora - venho postando com freqüência no Boca de Gafanhoto, blog-irmão do Biselho que trata exclusivamente de minhas experiências aqui na terra dos espetinhos de escorpião.

Se você não acompanha o Boca de Gafanhoto, comece agora: o endereço oficial é www.bocadegafanhoto.com, mas você também pode acessar por aqui e conferir, por exemplo, como é uma universidade na China, o dia-a-dia de um estudante de mandarim, os asquerosos (ou nem tanto) banheiros chineses, a Muralha da China, as comidas que você nem sabia que existiam, os gramados e os desertos da Mongólia Interior, os guerreiros de terracota de Xi'an, além de quilos de fotos, vídeos e podcasts.

Além disso, venho contribuindo ativamente com dois outros blogs. A Saga de Tião, história parcialmente nonsense que escrevo com Daniel de Pinho desde 2007, está em sua terceira e última temporada; e o já finalizado Uma Copa, Dois Mundos, escrito durante a Copa 2010 em parceria com Thales Machado.

Agora, a grande novidade que você não sabia: o Biselho, a Saga de Tião e o Uma Copa, Dois Mundos virarão livros dentro das próximas semanas. Livros de verdade, impressos em átomos, com capa, contracapa, orelhas e quiçá até prefácio.

A Saga de Tião reunirá as duas primeiras temporadas, devidamente revisadas - a terceira você pode acompanhar pelo blog e deixar aquele comentário jóia.

Uma Copa, Dois Mundos trará textos e fotos sobre a última Copa do Mundo na visão de quem assistiu da China e da África do Sul. A maioria você pode ler no blog, mas textos inéditos também farão parte do pacote.

E o Biselho ganhará uma antologia de seus melhores textos entre 2004 e 2009. 90% do conteúdo do blog ficou de fora por um motivo ou vários, mas os 10% restantes estão sendo atualizados, emendados, melhorados, picotados, recauchutados e diligentemente revisados.

Todos os três estarão à venda pela internet. Sim, você poderá gastar seu suado dinheirinho e adquirir seus exemplares para ler no ônibus, antes de dormir, no meio da aula, durante uma reunião ou até dar de presente no amigo oculto da firma. Aguarde e verá!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Boca de Gafanhoto


Fui pra China.

Não é piada e nem eufemismo pra falar que o blog acabou. O Biselho continua firme e forte, mas com atualizações menos freqüentes. Minhas atenções nos próximos meses estarão mais voltadas para o Boca de Gafanhoto, blog que criei para depositar minhas impressões sobre o país mais populoso do mundo, onde morarei a partir desta semana.
Com um inédito domínio ponto com (até o Biselho que já tem cinco anos ainda é ponto blogspot)e uma logo criada pelo renomado sabinopolense Daniel de Pinho, o Boca de Gafanhoto já conta com 5 posts no ar, e isso que eu ainda nem saí de Belo Horizonte. Comentem, divulguem, xinguem, mas acessem: http://www.bocadegafanhoto.com/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quem é Rei Momo...



Depois de quatro anos sem lançar música inédita, o ABUNN retorna com duas novas canções.

"Festa Junina em Banheiro" é uma ode à celebração da festa de São João nos lugares mais improváveis da casa. A música é minha e a letra é criação da banda toda numa noite de ócio. Não estranhe: ela só tem 34 segundos mesmo.

"Pequena Morsa" narra a história de uma garota rechonchuda que resolveu dar tudo de si para adquirir uma boa forma. A letra é parceria minha com o Daniel de Pinho, que também escreve A Saga de Tião. Fizemos a letra pelo MSN quando ele morava nos Estados Unidos: os versos ímpares são meus e os pares dele, exceto na última estrofe, quando invertemos.

Formação da banda nesta gravação: Lucas Paio (voz, guitarra e teclado), Bruno Paio (baixo), Gustavo Gomes (guitarra solo) e Adriano Domeniconi (bateria).

Onde ouvir? No nosso MySpace. Lá também você escuta "Que Pena", "Opesdol", "A Song With No Name" e "Capitão Garrancho", todas da safra 2004/2005.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O que é, o que é:



Nano-documentário filmado de dentro do Cine Vila Rica, em Ouro Preto, durante a última Mostra de Cinema.

Arrivederci



Roma, Itália
18 a 20 de fevereiro de 2007

Quando regressei a Roma depois de alguns dias perambulando por Venezia e Firenze, cumpri a promessa de não pisar novamente no Alessandro Palace e me instalei no Stargate Hostel, na mesma região feia mas bem localizada, perto da Termini. O albergue seguia o esquema que eu já experimentara no Peace & Love de Paris: chuveiro dentro do próprio quarto, sem porta nem nada - mas com cortinas impedindo a exibição das nudezes alheias - e privada no corredor, essas com portas. Outro aspecto marcante do Stargate era seu elevador à moda antiga, com grades de metal ligeiramente enferrujadas. Não quis nem conferir o estado das correntes.

Logo que cheguei, o Efeito Itália fez-se presente mais uma vez: vira e mexe conhecia alguém numa cidade e encontrava por acaso em outra. Foi assim com as duas brasileiras que conheci em Roma e vi de novo em Veneza, o casal australiano de Newcastle que reencontrei casualmente em Florença e esse baiano, com quem bebi no pub crawl de Berlim e topei outra vez nas ruas romanas.

A última noite da viagem - uma segunda-feira de Carnaval! - foi com um apanhado de várias regiões brasileiras: o baiano, os três cariocas que estavam com ele e com quem rodei em Pompéia, e as três gaúchas que conhecemos nas ruínas. Elas sugeriram um bar logo ao lado de onde estavam hospedadas. Ironicamente, se era tão fácil esbarrar a esmo com alguém, foi complicado reunir toda a patota pra sair à noite, sem celular.

Chegamos no tal pub e um rapaz veio saber o que queríamos ali. Ué, tomar uma cerveja? Ele foi lá dentro, consultou um superior e deixou que entrássemos. Senhores com muita cara de mafiosos penduravam seus ternos e nos olhavam de rabo de olho. Olhávamos o cardápio quando a garçonete veio e avisou que, na verdade, todas as bebidas custavam 10 euros. E a gente achando aquilo muito estranho, mas uma das gaúchas estava com muita vontade de beber e acabou pedindo a cerveja mais cara de sua vida - 27 reais por uma long neck. Assim que ela terminou, pegamos os casacos e demos no pé, antes que nos dessem um tiro ou furassem nosso olho, o que viesse primeiro.

Melhor pedida foi o Julius Caesar Pub, que tinha cerveja Guinness mais em conta e tocava de tudo, até uma ou outra música brasileira - uma razoável para cada outra lamentável, mas brasileira ainda assim. Depois saímos todos bêbados, em busca do Yellow Hostel, o albergue onde os cariocas estavam e que tinha um bar para continuarmos a noitada. Após seis quarteirões sem reconhecer um nome de rua sequer, nos demos conta de que andáramos aquilo tudo na direção errada. Tudo bem: eu já tinha feito coisa parecida antes, e sóbrio.

Voltei para o albergue às 4 da manhã, depois de algumas horas de vinho e cavaquinho, confiando no acaso para acordar antes do horário do check-out, que era às 10h. Abri os olhos, assustado, às 11h40. Ninguém no quarto: nem os iranianos, nem o casal do Peru, nem as mochilas e malas de ninguém - exceto as minhas, ainda bem. Desci correndo, pedindo pelamordedeus que não me cobrassem outra diária, e os caras: "Va bene, va bene!", naquele bom humor que você já conhece. Saí pelas ruas apressado em direção à estação, carregando as mochilas, despenteado e com uma já prevista dor de cabeça. Nada mais adequado para encerrar uma viagem do que uma boa ressaca.

Este post conclui a série tardia sobre meu mochilão na Europa em 2007. Para ler todos, clique aqui. A seguir, voltamos com nossa programação normal. Ou quase.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ashes are burning



Pompéia, Itália
19 de fevereiro de 2007

Depois de Tróia e Esparta, a próxima cidade antiga a virar blockbuster seria Pompéia, num thriller dramático de 130 milhões de dólares dirigido por Roman Polanski. Só que o Polanski saiu do projeto e infelizmente não se sabe se o filme vai ou não vingar. Por outro lado, o mundo fica livre de mais um papel insosso de Orlando Bloom.

A história de Pompéia é cinematográfica por natureza. Cidadezinha romana típica, de agitada vida cultural e popular destino de verão. Em 62 d.C., é antigida por um terremoto de 7.5 na escala Richter, que destrói grande parte de suas edificações e instaura o pandemônio no lugar. Nos dezessete anos seguintes é reconstruída pouco a pouco, até que em 79 d.C. o vulcão Vesúvio resolve acordar e espalha pedras e cinzas pra todo lado, soterrando todo mundo. Sua localização é esquecida por mil e quinhentos anos, até que acidentalmente descobrem suas ruínas e iniciam as escavações. Até hoje não terminaram: dos 66 hectares, 21 ainda permanecem intocados. Como se não bastasse, em 1943 os Aliados jogaram 150 bombas em Pompéia, achando que os alemães estavam usando o lugar para estocar munição. Ô lugar zoado.

Eu ouvia essas histórias desde criança e, para meu último dia de mochilão, escolhi fazer um bate-e-volta a partir de Roma para conhecer o famoso sítio arqueológico à beira do Vesúvio. É só pegar um trem pra Nápolis (227km) e outro rapidim (30km) pra cidade de Pompéia. E foi aí que fiz a primeira descoberta, quando cheguei na estação com três cariocas que havia conhecido no dia anterior: existem as ruínas de Pompéia antiga, mas há também uma cidade moderna, logo ao lado, com o mesmo nome. Em italiano, elas se distinguem pela quantidade de Is: "Pompei" é a atual e "Pompeii", a antiga.

Um monte de taxistas se ofereceram pra levar a gente até as ruínas, mas preferimos a pão-duragem e rumamos para o ponto de ônibus. Esperamos, esperamos, até que o ônibus finalmente apareceu... e não parou. Vencidos, caminhamos a distância da estação até a entrada de Pompeii, que nem era tanta assim.

O ingresso custou 10 euros e deu direito a um mapa e um livrinho caprichado (80 páginas) com detalhes sobre as várias construções encontradas lá dentro. Um italiano barrigudo ofereceu seus serviços de guia turísticos, dizendo em inglês macarrônico: "Ráier a gáide ru uíl títchiu Rôman rístori". Preferimos recusar. Também me neguei a comprar um guarda-chuva, embora o sol estivesse longe e a previsão do tempo não fosse nada esperançosa. Resultado: o único dia em que levei o meu Guia do Viajante para um passeio externo também foi o único dia em que choveu. O coitado ficou encharcado.

Ainda na entrada, conhecemos duas garotas cariocas que eram intercambistas em Nápoles, e mais adiante se juntaram a nós três gaúchas que também percorriam o continente europeu. Foi também a primeira vez que andei durante o dia junto com outros brasileiros, e é impressionante como a viagem muda nessas circunstâncias: ganha-se em conversas e piadinhas, mas você deixa de ser mestre do próprio destino, e passa a ir aonde a massa vai.



Entramos em Pompéia com um desejo em comum: queremos ver os corpos! E não demoramos a encontrá-los no chamado "Jardim dos Fugitivos", um amplo espaço cheio de pompeenses mortos. Aí foi a vez da segunda descoberta: não são pessoas cobertas de lava petrificada ou algo que o valha, mas moldes de gesso feitos durante as escavações das ruínas. A técnica foi introduzida pelo diretor das escavações na segunda metade do século XIX, Giuseppe Fiorelli, e funciona assim: os corpos soterrados por cinzas foram se decompondo lentamente e deixaram um vão ali no meio, na posição em que estavam; injeta-se gesso ali dentro, que endurece e pronto. É como uma marca de giz no asfalto, em volta do cadáver recém-assassinado, só que 3D.

Caminhar por Pompéia é um barato. São dezenas de construções, entre casas, estabelecimentos comerciais, teatros e o enorme anfiteatro, onde o Pink Floyd filmou seu "Live at Pompeii", provavelmente o show com pior média de público da história. Grande parte dos objetos, bem como muitos dos corpos de gesso, foram tirados de lá e levados para o Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, malditos napolitanos. Ainda assim, muitas estatuetas, pinturas e objetos continuam firme e fortes em seu lar original, bem conservados, e em muitas casas é possível entrar e se pegar imaginando como seria viver ali há dois mil anos.

Na volta para Nápoles, tivemos provas de que o mau humor não é exclusividade dos cidadãos de Roma. Primeiro, um cara implicou com nosso passe de trem e queria cobrar trinta e tantos euros de multa, até que a intercambista carioca, que falava um italiano mais razoável, conversou com ele e resolveu a encrenca. Em seguida, um bigodudo chato não queria aceitar meus euros pra reserva do trem porque a nota estava molhada, mas eu não tinha um secador portátil na mochila e ele acabou cedendo. Depois o Umberto Eco diz que o maior problema da Itália são os italianos, e o pessoal acha ruim.



O Anfiteatro de Pompéia.



Este pub encerrou suas atividades há 1930 anos.



Ruas romanas e mau tempo.



Um cadáver deitado.



Um cadáver agachado.



Um cadáver de bruços.



Um cadáver dormindo.